Em tempos de coronavirus, vamos publicar um texto sobre as principais pandemias que assolaram a humanidade no decorrer de sua história. Para isso, transcrevemos um texto da Enciclopédia Abril em sua edição de 1978.
UMA HISTÓRIA DE MORTES
Uma das mais antigas ocorrência de peste é narrada em Samuel ( I, 5,6). Calcula-se que isso tenha se passado uns mil anos antes de Cristo, e a Bíblia fala em 50 070 vítimas - um número modesto se comparado com os 25 mihões de pessoas que morreram na epidemia européia do século XIV. Esta parece ter sido de caráter bubônico e pneumônico e acredita-se que haja se manifestado primeiro na Ásia, de onde alcançou os europeus via China e Índia. Entre o castigo registrado pelo hagiógrafo hebreu e a "morte negra" que eliminou um quarto da população da Europa, houve pelo menos um ciclo de cinqüenta anos de peste em todo o mundo romano, no século VI.
Entre 1400 e 1720, novos surtos assolaram os europeus. Em 1664-1665, a "Grande Peste" matou 68 596 dos 460 000 londrinos da época. A última epidemia de vulto registrada foi a de Marselha, cujas 50 000 mortes marcaram o ano de 1720.
Depois disso, a incidência de peste declinou a ponto de quase desaparecer, na Europa, em decorrência de hábitos de higiene, da desratização das residências e mesmo pela evolução natural do ciclo das epidemias.
Não obstante, o mal continuou a afligir outras regiões. Nos séculos XVIII e XIX, as vítimas foram o Oriente Médio, a Rússia e, com grande intensidade, a Índia e a China. Nas duas primeiras décadas do século XX, os portos chineses funcionaram como centros de irradiação, contaminando a Índia, Japão, Filipinas, Oceania, América do Norte e do Sul, África e portos europeus como Glasgow, Odessa, Nápoles e Marselha.
Posteriormente, registraram-se apenas manifestações endêmicas de peste, ou surtos de menor importância, sempre ligados a condições precárias de higiene.
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