Assassinato de JúlioCésar, Tela de 1805 do pintor Vincenzo Camuccini, exposta num museu de Nápolis, Itália
Júlio César foi assassinado por um grupo de senadores nos idos de março (15 de março do ano 44 a.C). Sua mulher, Calpúrnia teve um sonho em que viu a figura do marido morto, todo ensanguentado. Antes, um vidente também alertou-o sobre o perigo que corria. César ficou na dúvida se deveria comparecer ao senado, naquele dia, mas um colaborador a quem relatou os fatos, ridicularizou os seus temores, dizendo que ele não podia acreditar em sonhos tolos e premonições. Era tudo mera fantasia. César, então, resolveu comparecer ao senado. Marco Antônio, seu principal general, sempre o acompanhava em suas visitas, mas nesse dia teve outro compomisso e só chegou ao cenário do crime, depois do assassinato do amigo.
Calpúrnia, a terceira mulher de Júlio César
Pelo menos 60 senadores participaram da conspiração, liderados por Brutus e Caio Cássio, sendo que o primeiro era visto por César como um filho de criação, pois a mãe dele, Servilia, tinha sido sua amante. Os senadores desferiram 23 golpes de adagas no homem indefeso, sendo que Brutus também participou da chacina, tendo ouvido da vitima a frase que ficou famosa: et tu, Brute ( até tu, Brutus).
Imagem de Brutus, exemplo nefasto de traição
Quando da batalha de Farsália, entre César e Pompeu, vencida pelo conquistador da Gália, Brutus não apoiou seu protetor, mas aliou-se a Pompeu, sendo, posteriormente, perdoado por César, provavelmente a pedido da mãe, Servilia, que fora amante do vencedor. Brutus aliou-se, posteriormente, aos assassinos do amigo e protetor, passando à história como protótipo repugnante de traição e covardia.
Os conspiradores justificaram o seu ato bárbaro, alegando que Cesár, no momento ditador da república, com plenos poderes, pretendia restaurar a monarquia, sendo ele o imperador. Mas o golpe fracassou e os cospiradores foram derrotados numa guerra civil, sendo Marco Antônio seu principal comandante. Derrotado na batalha de Filipos, Brutus se suicidou.
César se tornara famoso em Roma, em razão de suas conquistas na Gália, onde combateu durante oito anos, tendo trasformado suas legiões numa força de elite, que deixou os senadores de Roma assustados. Eles lhe ordenaram dissolver essas legiões e retornar a Roma para ser julgado. O cérebro dessa conspiração era Pompeu, casado com Júlia, filha de César, que falecera durante um parto para grande amargura do pai.
Como resposta às exigências do senado, para dissolver suas legiões, César reuniu suas tropas e atravessou o Rubicão, quando pronunciou a famosa frase: alea jacta est (o dado ou a sorte foi lançada). Pompeu com seus legionários esperou César, na Grécia, onde foi travada a batalha de Farsália. Embora em menor número, Júlio César conseguiu derrotar Pompeu, usando táticas militares de alta relevância. Pompeu fugiu para o Egito, onde foi morto por ordem de Ptolomeu, irmão de Cleópatra. Seus assassinos ofereceram a César a cabeça do general, pretendendo agradá-lo, mas César, horrorizado, mandou eliminá-los.
No Egito, César manteve um relacionamento amoroso com Cleópatra, nascendo-lhe um filho de nome Cesário. Cleópatra (foto) e o irmão Ptolomeu governavam o Egito, mas estavam em disputa feroz pelo poder. César apoiou a amante e ela se tornou soberana única do país, com a derrrota e morte do irmão, sob os auspícios de Júlio César. Quando César foi assassinado, Cleópatra se encontrava em Roma, com o filho Cesário, tendo retornado, imediatamente, ao Egito, pois ambos corriam perigo de vida. Além do que, sua presença na capital romana, era motivo de constante constrangimento para Calpúrnia, a legítima esposa do assassinado.
Com seu retorno a Roma, depois da vitória de Farsália, César se tornou um ditador, com plenos poderes, outorgados pelo senado, mas os senadores, na surdina, conspiravam, suspeitando de suas intenções em se tornar rei, o que era verdade. Marco Antônio, em duas oportunidades, diante de uma multidão, chegou a colocar uma coroa na cabeça dele. O ato foi aplaudido por muitos, mas uma parcela da multidão ficou em silêncio, desconfiada.
Entretanto, a morte de Júlio César, foi o acontecimento que possibilitou o surgimento do império romano, com Otaviano Augusto, seu primeiro imperador (foto). Ele era sobrinho-neto de César e tinha sido adotado por ele, tornando-se, portanto, seu herdeiro político. O fato constava, inclusive, de seu testamento.
Na tela, Marco Antônio exibe o corpo de Júlio César perante o povo de Roma, oportunidade em que pronunciou um discurso emocionante, no qual enalteceu as qualidades do amigo como uma das maiores personalidades de seu tempo. A cidade foi tomada por grande emoção.
Na verdade, Júlio César (foto) foi um dos maiores generais da história da humanidade, um grande administrador e um dos políticos mais importantes da República romana. Sua trajetória de vida vem sendo estudada ao longo tempo por historiadores da maioria das nações. Ave, Caesar!!!
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