sábado, 23 de novembro de 2024

UMA VIAGEM QUE QUASE SE TRANSFORMOU NUMA GRANDE TRAGÉDIA


No livro Menino Tropeiro, o autor narra uma viagem de sua família que quase se transformou em tragédia. Leia os detalhes.

"Antes do nascimento de meu quarto irmão, Rogério, numas férias de fim de ano, a família resolveu visitar meus avós na cidade de Campos Novos. Como a distância era bem razoável, os preparativos foram minuciosos. Arrumamos dois cavalos e uma mula e viajamos até uma fazenda às margens do Rio Canoas, cujo proprietário traçou um mapa para que seguíssemos um caminho pela floresta, margeando o rio. Assim, reduziríamos bem a distância. Num determinado ponto do rio, encontramos uma balsa e passamos para o outro lado, na direção do povoado de Abdon Batista, onde pernoitamos na casa de um conhecido de meu pai.

No dia seguinte, bem cedo, partimos para Campos Novos, onde chegamos à noite, famintos e cansados. Minha avó, que não conhecia os netos, nos recebeu com muita alegria e o velho João Gomes foi um anfitrião bem agradável. A maioria dos irmãos de minha mãe já tinha tomado rumo na vida e as mulheres estavam quase todas casadas. Ali só permanecia o irmão mais novo de minha mãe, de nome Antônio, um pouco mais velho do que eu e duas tias, sendo uma delas, tia Adelaide. Ficamos uns quinze dias em Campos Novos e retornamos para Anita Garibaldi numa bela manhã. Saímos de madrugada e, por volta do meio dia, já atravessávamos de balsa o rio Canoas.

Na outra margem do rio, tinha uma área gramada à sombra das árvores e minha mãe achou o lugar bem apropriado para a sesteada, como dizíamos. Descemos dos cavalos e, enquanto ela preparava uma rápida refeição, levei os animais para um pequeno pasto próximo, me colocando de guarda no começo  da  estrada  para  impedi-los de fugir.

Minha mãe preparou pão com queijo e linguiça para todos e me chamou para buscar a minha porção.

– Mãe – disse eu, – não vou sair daqui, porque os animais podem fugir.

– Os animais estão pastando e não vão fugir.

Eu ainda insisti, mas ela ordenou, com apoio de meu pai, que eu buscasse o lanche e não me preocupasse com as montarias. Só que eles não entendiam de cavalos como eu. Saí bem devagar e me afastei uns trinta metros, quando um dos cavalos ergueu a cabeça e, ao ver o caminho livre, avançou rápido, seguido dos outros animais.

– Eu não disse pra senhora que eles iam fugir - gritei desesperado, enquanto me precipitava atrás das bestas.

Nessas circunstâncias, a única maneira de cercar animais fujões é cortar caminho e ir esperá-los em frente, o que a situação do momento não permitia, porque a mata era muito fechada, cheia de espinheiros. Assim, enquanto eu e meu pai corríamos atrás deles, mais se distanciavam de nós. Eu estava desesperado e meu pai bufava de nervoso. Enquanto corríamos, eu pensava nas consequências. Em primeiro lugar, os animais não eram nossos e éramos responsáveis por eles. Depois, como iria ficar a família, perdida no meio do mato, com duas crianças pequenas (eu já me considerava um adulto). A corrida desesperada demorou mais ou menos uma meia hora, quando o céu veio em nosso socorro. Numa curva do caminho, avistamos as montarias pastando, tranquilamente, junto ao portão de uma propriedade, cuja cerca os impedia de seguirem adiante. Cansados e nervosos (meu pai mais nervoso do que eu) nos aproximamos e seguramos os três infratores pelas rédeas  e tomamos  o  caminho  de volta, enquanto seu Heitor a eles se referia com alguns adjetivos bem pesados, como se os pobres quadrúpedes tivessem consciência do mal que tinham praticado. Fomos encontrar dona Lina inconsolável, na previsão do pior, enquanto meus irmãos choramingavam assustados. Arrumamos as trouxas, nos acomodamos sobre os arreios e cavalgamos silenciosos em direção de casa, onde chegamos no final do dia. Durante o restante do trajeto, não encontramos ninguém, um sinal do que poderia ter sido o desfecho da viagem, se tivéssemos perdido os animais". 

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            LIVROS DO AUTOR DESTE BLOG PARA SEUS                                           MOMENTOS  DE LAZER. 

                                

          

O FILHO DE ANITA - Uma história que beira o fantástico. Um rico fazendeiro que incorpora o Malvado, desenvolve um intenso trabalho para seduzir uma bela jovem, Anita, criando situações inusitadas. A história reúne frades, médicos, vaqueiros, mulheres inteligentes e o povo simples dos vilarejos. E tem um final surpreendente. Só lendo, para crer.

VENDER É PRECISO- Um livro para treinamento de vendedores e empresários, mostrando as melhores técnicas de vendas, desenvolvidas no país e no exterior. Agora, em segunda edição. Um professor de vendas sobre Vender é Preciso, disse o seguinte:” Este livro deveria estar no porta-luvas do carro de todo vendedor, pois também Ler é Preciso”.

 OPERAÇÃO KAABA - Uma história extraordinária, que se passa no ano de 2035, num conflito internacional de graves consequências e o sequestro de um papa por terroristas islâmicos. O livro fala do surgimento de uma nova ordem religiosa - os Novos Templários, em cujos votos está, agora incluído, o voto de Preservação, com o objetivo de minorar os graves problemas ambientais que surgirão no futuro. A história envolve terroristas, jornalistas, políticos, fanáticos religiosos, personagens do clero e a figura de um papa - Pedro Paulo I, além de uma bela jovem que está presente em toda a trama.

 AS TORRES DAS TRÊS VIRTUDES- livro dividido em duas partes. A primeira se passa num seminário, com a narrativa de fatos vivenciados pelo autor em sua juventude, mostrando como se desenvolvia a vida de um jovem, baseada no estudo, no trabalho e na oração, além das atividades esportivas. A segunda parte é vivida pelo herói da narrativa, na fazenda de seu pai, onde impera a corrupção, a violência e a lei da Winchester. 

 MENINO TROPEIRO - é a biografia da infância do autor, filho de um professor primário, que dava aulas em povoados do Planalto Catarinense. Aulas para 4 turmas, simultaneamente, com a maioria dos alunos vindos das propriedades agrícolas. Eles não tinham condução, como os alunos atuais. Vinham a pé, na escola não havia refeições e, à tarde voltavam para casa e pegavam uma enxada para ajudar os pais no trabalho das lavouras. Eram outros tempos. 

EXPRESSÕES E PROVÉRBIOS LATINOS -  São mais de 400 verbetes, com tradução, pronúncia e exemplos de uso. É um material adequados para advogados, pois a jurisprudência faz uso constante de terminologia latina, face a importância do direito romano para todos os povos.. Mas o livro também é importante para a cultura em geral, pois traz também um texto completo sobre a história de Roma.

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