segunda-feira, 19 de outubro de 2026

A CURA MILAGROSA DE UM MENINO, GRAVEMENTE ENFERMO, ACOMETIDO PELA DOENÇA DA DIFTERIA @

 

O texto publicado, a seguir, foi extraído do livro MENINO TROPEIRO, de autoria de R.H Souza e narra um episódio real, acontecido em sua família, para o qual, até hoje, ele não encontra explicação. Teria sido um milagre?

"Eu nasci na vila de Vigia em 31 de maio de 1931. Até hoje não sei se 31 é o meu número de sorte. Antes de completar um ano de idade, fui acometido por uma grave enfermidade: o crupe ou difteria. Na localidade não tinha médico nem hospital. Segundo relato de minha mãe, houve uma noite em que chegaram a colocar a vela na minha mão, prática comum à época para iluminar a passagem do moribundo. Mas, nesse instante, alguém bateu na porta da casa. Meu pai foi atender e se deparou com um desconhecido, que lhe perguntou:

– Tem aqui um menino muito doente, não é, professor?

– Tem sim. É meu filho. Ele está muito mal. Mas posso saber quem é o visitante?

– O meu nome não importa. Eu só queria ver o menino e ver se posso fazer alguma coisa por ele.

Meu pai introduziu o estranho personagem nos aposentos onde eu agonizava. Ele colocou a mão sobre minha cabeça e ficou uns instantes em silêncio, enquanto era observado por meus pais. Depois, levou a mão ao bolso do casaco de onde tirou um frasco com um líquido de cor amarelada. Falou para minha mãe:

– Dê ao menino uma colher deste remédio, agora, e depois repita a dose de duas em duas horas.

O misterioso visitante acabou de falar e se retirou sem uma palavra. Minha mãe, como não tinha nada a perder e,  diante do quadro verdadeiramente caótico em que eu me encontrava, com o peito arfando e muita dificuldade para respirar, introduziu em minha boca o líquido amarelado, que tive grande dificuldade em engolir. A seguir, ela e meu pai ficaram ao lado do berço, aguardando o desfecho da crise. Duas horas depois, recebi a segunda dose do remédio e, assim por diante, até o dia clarear. Quando amanheceu, perceberam que o pequeno doente demonstrava melhoras e dormia tranquilo. Voltando-se para meu pai, minha mãe falou:

– Quem seria o homem que nos visitou, Heitor?

– Não tenho ideia. Ele nem me disse o nome.

– Pois eu sei quem ele é.

– Como sabes?

– Deus ouviu as minhas rezas e nos mandou um anjo para curar o nosso filho. Veja como ele está. Respira com facilidade. Graças a Deus se recupe

No dia seguinte, os vizinhos tomaram conhecimento do inusitado episódio e ninguém tinha informação sobre o misterioso personagem que visitara minha família naquela noite."

@ A difteria é uma doença bacteriana grave, aguda e contagiosa, causada pela bactéria Corynebacterium diphtheriae. Ela atinge principalmente as vias respiratórias superiores (como amígdalas, faringe e laringe) e a pele. A principal característica da doença é a formação de uma membrana ou placa espessa e branco-acinzentada na garganta, que pode obstruir as vias aéreas e provocar insuficiência respiratória ou asfixia. A gravidade também decorre de uma toxina liberada pela bactéria, que pode se espalhar pelo sangue e lesionar órgãos vitais. 

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 MENINO TROPEIRO - é a biografia da infância do autor, filho de um professor primário, que dava aulas em povoados do Planalto Catarinense. Aulas para 4 turmas, simultaneamente, com a maioria dos alunos vindos das propriedades agrícolas. Eles não tinham condução, como os alunos atuais. Vinham a pé, na escola não havia refeições e, à tarde voltavam para casa e pegavam uma enxada para ajudar os pais no trabalho das lavouras. Eram outros tempos. 

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